
Antropologia

Os estudos sobre outros seres humanos, feitos por pessoas que procuravam entender a natureza dos povos diferentes do seu, são muitos antigos, recuando, talvez, até à Grécia Antiga, ou mesmo antes. Contudo, foi apenas na primeira metade do século XIX, na Europa e América do Norte, que se instituiram como uma ciência por direito próprio.
Estes primeiros estudiosos de Antropologia (estudo do Homem, do grego Anthropos) eram, basicamente, trabalhadores de secretária, que se baseavam em trabalhos anteriores ou relatos de exploradores, para criar teorias que tentassem traduzir a realidade desses povos distantes que pareciam tão estranhos aos Europeus.
Mas não era apenas interesse académico que movia estes investigadores… A colonização estava no seu auge, e os povos da Europa procuravam trazer o seu domínio a todos aqueles que encontravam no seu caminho. Para tal precisavam de os compreender. Assim, a Antropologia andou muito tempo de mãos dadas com as potências coloniais, e, ainda hoje, a disciplina paga por esta associação, sobretudo nas antigas colónias.
Após a Primeira Guerra Mundial, onde muitos investigadores haviam sido massacrados nas trincheiras varridas por fogo e gás, a Antropologia sofreu uma grande mudança. Bronislaw Malinowsky, um investigador de origem polaca que trabalhava para as universidades inglesas, viajou para os antípodas, e conviveu com alguns desses povos considerados primitivos, desenvolvendo pela primeira vez trabalho de campo. A introdução de uma metodologia científica transformou a disciplina numa verdadeira ciência, sobre todas as perspectivas. Agora havia métodos práticos de recolha e avaliação de dados.
Após os trabalhos de Malinowsky tornou-se corrente os antropólogos irem para as terras distantes estudar os povos remotos, procurando compreendê-los à luz da sua cultura. Contudo, muitos achavam esta perspectiva demasiado etnocêntrica, isto é, demasiado centrada na opinião cultural daqueles que estudavam. Começou a desenvolver-se um estudo do próximo, a Antropologia começou a estudar os mesmos povos que durante décadas haviam estudado os outros. Isto foi uma mudança radical, e tudo e todos eram agora alvo de estudo antropológico. De uma ciência do “outro”, dos povos primitivos, a Antropologia passou a uma ciência geral, que estudava todas as vertentes da vida humana, em todos os cantos do globo.
Também se criaram novas perspectivas. Antropólogos sempre estudaram restos humanos, sobretudo ossos e crânios, e muitas teorias racistas e de fraco valor científico nasceram destes estudos. Mas, com o decorrer do século XX, a Antropologia do Corpo, chamada de Antropologia Biológica, tornou-se mais concreta e credível, passando a englobar estudos dos tecidos, da evolução humana, da genética, e até dos restos mortais deixados por assassinos, como vemos na popular série de televisão CSI.
Nos tempos recentes originou-se um grande debate no seio da Antropologia, acerca de qual seria a perspectiva mais eficiente e aceitável para estudar o ser Humano, se a biológica, ou se a cultural e social. Talvez, como sucede sempre, a resposta se encontre algures no meio…
Imagem de: www.maoribar.com