
E nada mais interessa
Março 14, 2008Normalmente não costumo falar de questões pessoais neste blog, criei-o com outras coisas em mente. Mas às vezes dão-se eventos que nos consomem a alma de dor e arrependimento, deixando-nos à deriva, obrigando-nos a abrir as nossas emoções em busca de algo que nos possa acalmar.
Eu sempre fui uma pessoa muito solitária, raras vezes tive coragem, ou até interesse, de me aproximar de outros seres humanos. Isso era mau, muito negativo. A minha infância e adolescência não foram muito felizes. Mas depois fui para a Universidade, iniciando-me no curso de Antropologia em Coimbra. No geral, estes dois anos e meio de experiência universitária foram um grande choque, em todos os aspectos, para mim. Neste período, desenvolvi aquelas capacidades e conhecimentos que deveria ter desenvolvido nos dez anos da minha adolescência. E se fui capaz de tal, foi, em grande parte (atento aqui que não me esqueço de ninguém, amigos e família, mas esses sabem o que sinto por eles; este é um outro caso), devido às pessoas fantásticas que lá conheci.
Ainda me lembro do momento em conheci cada um deles, ou em que me chamaram a atenção (talvez o significado seja, no fundo, o mesmo). E, a partir daí, muitas experiências me esperaram. Desenvolvi fortes amizades e laços, que acreditei nunca poderem ser afectados. A minha alma rejubilava por estar na presença de seres humanos que me inspiravam a querer ser melhor e mais aberto. Mas o Destino é um deus retorcido.
Algo em afectou, algo me puxou. Sempre soube que a minha personalidade tinha uma faceta negra, sinistra, egoísta e imatura. A minha imaturidade imensa ainda não desaparecera. Aos poucos comecei a apresentar comportamentos e atitudes que eram, muito basicamente, estúpidos. Se reagi a coisas que considerava injustas em relação à minha pessoa? Sim. Se reagi a caprichos e idiotices minhas? Acima de tudo, sim.
Não sei muito bem como o assunto se desenvolveu, mas deve ter sido um acumular de factos, desde stress a uma curioso calibrar da minha personalidade social (nunca antes posta à prova), até sentimentos de despertença bastante tristes… Magoei e desapontei, disse coisas que não deveriam ter sido pensadas. O correio do Inferno nas minhas mãos…
Com tudo isso acabei por me afastar das pessoas de que gostava e daquelas que simpatizavam comigo. Abri-me com quem não devia, fiz o que não podia. E, aos poucos, fui ficando só e triste. Desiludi muita gente, acima de tudo desiludi-me a mim mesmo. Não fossem aqueles dois que sempre ficaram do meu lado e eu teria dado em doido. Neste momento devo-lhes tanto quem nem sei como lhes agradecer. Quando os vejo felizes quase me apetece chorar…
Agora tenho de ganhar novamente o que demorei anos a conquistar. Mas nada será como antigamente. O que foi perdido para sempre o estará na esteira de pecados imperdoáveis. Vivi seis meses de Inferno, embora na altura nem o soubesse. Agora irei encontrar o Mundo Real, e espero estar pronto…
Mas antes disso, aqueles primeiros dois anos… Foram o Paraíso… Ainda me lembro… De quando a conheci. De quando fiz aquele primeiro trabalho com ele. De quando saía com ele e ela. De quando ríamos e partilhávamos refeições na casa dela. De quando viajávamos quilómetros para ir jantar às casas deles. De quando ele me abriu as portas da sua casa quando eu mais precisei (agradeço-te do fundo da alma, sinto orgulho em ser teu amigo). De quando eles se aproximaram… (alegra-me a alma ver-vos juntos e felizes, a sério que sim) De tudo isto eu me lembro e é como se as lágrimas escorressem pela minha face lívida.
Foram os dois melhores anos da minha vida e a vós vos agradeço, amigos. Não obstante as minhas falhas, eu ainda vos adoro e lamento todo o sofrimento que vos causei. Eu não me reconheço na pessoa que fui. Jamais tais erros cometerei…
Num lamento de dor pelos laços que meus pecados romperam, eu me alegro perante recordações…
Por tudo o que me permitiram…
Obrigado.
Life is ours, we live it our way
All these words I dont just say
Vosso, S7alker
Publicado em Geral | Tagged alegria, amizade, desilusão, dor, imaturidade, laços rompidos, lamento, lutar contra a timidez, metallica, tristeza, universidade de Coimbra |
Sei que face ao teu texto deveria de escrever um comentário mais profundo… ou nem sei se deva escreve-lo… mas sinto necessidade disso… fico-me por simples palavras… palavras minhas…
Parabéns por teres conseguido escrever esse texto e ser tão sincero.
Força para essa reconstrução de ti mesmo!=)
Gostava de conseguir passar os meus sentimentos para o papel tão bem como tu! tens um dom pah…
Para o que der e vier Francisco, eu estou aqui. Conta comigo!
Abraço.
A vida surpreende-nos com novas oportunidades!
Acredita em ti e conseguirás conquistar e reconsquistar o que te faz feliz!
Faço o meu primeiro comentário num desabafo um pouco triste…espero que no seguinte te encontre mais confiante de ti mesmo! =)
sou um pouco vergonhosa, sou tímida e sempre me sinto mal por causa disso, n sou tímida se me perguntam algo, pois ai eu respondo normal, sou tímidaao entrar no assunto, talves em falar em público. Sou nova e a minha tímidez está me atrapalhando muuuto, às vezes fico séria de mais porcausa da vergonha, em casa por exemplo eu falo o que eu quero com os meus país mais sou mais na minha e me sinto mal, tem hora que tenho vontade de desaparece. Gostaria de saber se vcs poderiam me dá uma dica para mim.
muito obrigada…
O problema é que a vida é muito difícil. Deixa-nos avassalados pela imensidão selvagem que nos coloca à frente, e há quem se ponha constantemente a perguntar-se se, de facto, tem força para lidar com tamanha coisa. Oh, se sei isso. Quantas vezes dei comigo num canto, a chorar, desejar desaparecer, desejar acabar com tudo…
Mas, creio eu, é algo que sobretudo nos afecta na juventude, mesmo na adolescência. É uma época em que nos construímos, em que decidimos quem somos, em que começamos a dar os primeiros passo nas escuras zonas, ou nas abertas clareiras, desta selva que é a vida. É então que aprendemos a nos fazer a ela, a enfrentar os animais selvagens, mais ou menos amigáveis, que nela vivem.
A única dica que te posso dar, creio, e faço-o porque sei que a ajuda é importante, é importante sentir-mo-nos apoiados nestas alturas, é que tens de acreditar em ti, ter coragem de que tudo acabará bem. Sei que parece cliché, mas é a verdade. Há dois anos atrás não teria acreditado, mas agora sei que é assim. Lembro-me de estar triste por tudo e por nada, de pensar que não era feito para aqui viver. Ainda me sinto um pouco assim, mas, aos poucos, fui aprendendo a criar o meu lugar, e ainda muito me falta aprender, e comecei a ter mais confiança, a tirar-me mais à vida.
Desculpa a longa resposta, mas a verdade é simples, acredita em ti, naquilo que queres para a tua vida, e deixa que as coisas se resolvam pelo melhor. Acima de tudo, avança para a refrega e cria o teu nicho neste ecossistema.
Espero ter ajudado.
Boa sorte.